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Orgulho de Ser Brasileiro - Liberal, Libertario, Libertino

Orgulho de Ser Brasileiro

Apropriação Indevida

Durante as discussões da Prisão Patriotismo, uma leitora escreveu:

Aiaiaiaiaiai! O que você quer dizer com isso? Que o nosso país com as dimensões continentais que tem deve passar desapercebido no cenário das grandes nações? Te dá prazer saber que é a capital da prostituição e do oba oba? Por que temos que abrir mão da identidade linguística? Aquela merdinha chamada Portugal, por incrível que pareça, estendeu seus domínios até além do oriente. Mas por que você acha que o patriotismo aprisiona? Todos os povos sentem orgulho quando ganham medalha de ouro nas olimpíadas e disputam hegemonias em varios esportes. Patriotismo sim, por que não? Afinal de contas, você é louco ou vira-casaca? So os filhos da puta do tio Sam podem ser patriotas?

Então quer dizer que a Luiza Parente dedica toda a sua vida à Ginástica Olímpica, faz todo o tipo de sacrifício pra ir às Olimpíadas e supera todas as barreiras pra ganhar o Ouro, tudo isso só para, no dia seguinte, patriotas por todo o Brasil se orgulharem: "Ganhamos o Ouro em Atlanta!"?

Ganhamos, é? Nós quem? Onde estava você quando a Luiza Parente treinava oito horas por dia? Você colaborou em alguma coisa? Levou lanchinho pra ela no intervalo? Emprestou dinheiro quando ela precisou? Fez vaquinha pra pagar a passagem, pelo menos?

Ah, então não fode.

Outra: "ganhamos de 3 a 1 do Vasco ontem!"

E eu pergunto: nós quem, cara-pálida? Você estava em campo? Você estava quiçá no banco? Você colaborou em alguma ínfima parte que seja da vitória? Então que porra é essa de "ganhamos de 3 a 1 do Vasco"? Quem ganhou de 3 a 1 do Vasco foram aqueles onze caras em campo, você não teve nada a ver com isso.

Ou, pior ainda: "O Brasil ganhou a Copa do Mundo! O Brasil, cara! O Brasil! Você não liga pro Brasil?"
 Funda��o: Trilogia ISAAC ASIMOV


Leva a mal não, mas o Brasil não cabe num estádio de futebol. Quem ganhou não foi o Brasil, quem ganhou foi uma equipe. Nem eu, nem você e nem o Brasil tivemos nada a ver com isso. Aliás, se você levar em conta como esse país é ingrato com seus atletas, é mais provável de terem ganho apesar do Brasil.

 Eu, Rob� ISAAC ASIMOV

Mas Dos Defeitos Todo Mundo Corre

Isaac Asimov, um dos poucos homens que admiro, conta uma história interessante. Ele era judeu e, uma vez, um de seus amigos judeus veio dizer, em tom de vitoriosa confidência, que os judeus eram zero vírgula alguma coisa da humanidade mas que tinham ganho trinta e tantos por cento dos Prêmios Nobel. Não é incrível? E ficou rindo sozinho, que nem um idiota.

O Asimov ouviu aquilo, pensou e respondeu: e você sabia que os judeus são também zero vírgula alguma coisa da população dos Estados Unidos, mas quase quarenta por cento dos gigolôs? O amigo ficou chocado. Sério? Sim, disse o Asimov. Faz você sentir vergonha de ser judeu, não é? E o outro: claro que não, não fui eu que fiz nada disso.
Ordem e Progresso, de Gilberto Freyre


Bem, respondeu Asimov, esse número eu inventei agora, mas se você não sente vergonha pelas coisas ruins que não fez, por que sente orgulho das coisas boas que também não fez? Aqueles Prêmios Nobel também não foi você que ganhou.

Uma outra cena que sempre vejo: um pobre estrangeiro faz alguma crítica ao Brasil e, mesmo se for a coisa mais unânime do mundo, cai todo mundo de pau em cima do infeliz.

E eu tento defender: mas o que ele falou não está coberto de razão, meu deus?!

Claro que sim, respondem os patriotas, entre porretadas, e a gente está cansado de saber disso, mas ele não tem nada que vir pra cá falar mal da gente!

Orgulho de Ser Brasileiro

Acho muito estranho tantas pessoas dizendo que têm orgulho de ser brasileiros.

Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre

Eu não tenho orgulho de ser destro. Não tenho orgulho de ter 1,79m de altura. Não tenho orgulho de ter olhos e cabelos castanhos. Não tenho orgulho, muito pelo contrário, dos meus 100 kg.

Por que cargas d'água teria orgulho de ser brasileiro?

Ser brasileiro, assim como ser destro, não é nenhum mérito meu, não é nada que eu fiz, foi uma circunstância fortuita e totalmente fora do meu controle.

Faz tanto sentido ter orgulho de ser destro quanto de ser brasileiro.

Pessoas Vaidosas e Intragáveis
Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre


Eu devo mesmo entender tudo errado.

Enquanto vejo as pessoas tendo orgulho de ser católicas, vascaínas, cariocas, brasileiras, mangueirenses, circunstâncias fortuitas ou independentes de mérito pessoal, aquelas pessoas que têm um justificado orgulho das coisas que realmente fizeram, dos seus feitos individuais, são rotuladas de arrogantes, vaidosas, insuportáveis.

 Corinthians: � Preto no Branco WASHINGTON OLIVETTO

Outro dia, mais um escritor famoso veio dizer, em entrevista, que Gilberto Freyre era intragável de tão vaidoso. Tudo bem, Freyre era reacionário e tinha várias atitudes políticas indefensáveis, como apoiar toda e qualquer ditadura que visse pela frente, mas o homem foi um dos maiores gênios que o Brasil produziu. Casa Grande & Senzala é, na minha modesta opinião, a maior contribuição brasileira à cultura mundial, uma idéia límpida, bem defendida e insightful, que coloca Freyre no panteão dos grandes pensadores da humanidade. Ele tinha todo o direito de ser vaidoso e de ter orgulho do que fez.

Dizem que Washington Olivetto também é assim. Não conheço o Olivetto. Mas, se for, é porque tem todo o embasamento empírico para tanto: o homem é um dos profissionais mais premiados e reconhecidos da sua área em todo o mundo.
 Piores Textos de Washington Olivetto, Os WASHINGTON OLIVETTO


Ou seja, as pessoas se orgulham de uma goleada da seleção, da qual não participaram em absolutamente nada, mas rotulam de vaidoso e arrogante um homem que tem orgulho de sua pr�pria obra.

O Olivetto, pelo menos, tem orgulho dos gols que ele mesmo marcou.

Vidas Vazias e Medíocres

 Luis de Cam�es: Obra Completa LUIZ DE CAM�ES

A façanha de Portugal nos séculos XV e XVI foi realmente incrível, mas os homens que a realizaram estão todos mortos. Não temos nada a ver com isso. Aos portugueses de hoje, só resta ler Camões e João de Barros e chorar pitangas.

Ter orgulho dos feitos dos outros é o cúmulo da babaquice. Sejam os outros a seleção brasileira, a Luiza Parente ou os navegadores portugueses do século XVI.

Por trás de todo patriotismo cego e ufanista estão pessoas pequenas, sem conquistas próprias das quais se orgulhar, tentando se apropriar indevidamente dos feitos dos outros.

Coletivo vs Individual

Naturalmente, a explicação está na velha dicotomia entre individual e coletivo.

O sucesso do indivíduo é sempre exclusivo. Gilberto Freyre é um gênio porque os outros não são. Os medíocres não têm como embarcar no sucesso de Freyre para alimentar seus próprios eguinhos. Para eles, o orgulho de Freyre por seu sucesso é um tipo de egoísmo, pois estão explicitamente excluídos dele.

Já as conquistas coletivas, militares ou esportivas se prestam mais à difusão entre a massa dos sem-conquistas. A ponte entre "Luísa Parente ganhou o ouro em Atlanta", "O Brasil ganhou o ouro em Atlanta" e "Ganhamos o ouro em Atlanta", da terceira para a primeira pessoa, é automática e relativamente indolor, permitindo que pessoas pequenas, que não têm nada do que se orgulhar, possam se apropriar indevidamente da conquista do outro e sentir aquele calorzinho de auto-estima que suas próprias vidas não lhes proporcionam.

Quando um medíocre reclama da vaidade ou arrogância de quem se orgulha dos seus próprios feitos, ele está na verdade ressentido por não poder se apropriar dessas conquistas com a facilidade que se apropria do penta.

 

05.05.08

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Catarse

O que aconteceu de ontem pra hoje? Trocaram o mundo inteiro e eu não percebi?

Chego cedo no trabalho e percebo que estou trancado do lado de fora, aguardo 52 minutos e tudo transcorre normalmente... Vou na cantina para beber minha vitamina e vejo dois homens se engolindo. Sério, nada contra mesmo, mas aquele tipo de beijo não é coisa de lugar público, nem se fossem dois ninfomaníacos, dois coelhos, zebras ou o que for... A menos que fosse um exame de amigdalite, mas isso não se examina na cantina de uma faculdade, certo? Nem se fosse de medicina.

Volto pra minha sala e ouço a seguinte frase: "A roda foi inventada por um designer" ... APAPORRA!!!! Designer 'mermão? Um designer inventou a roda? Mas nem se fosse a roda da... deixa pra lá ...Enfim, as pessoas não deveriam se drogar antes de trabalhar. Taí, junto com a campanha "Se beber não dirija" deveriam lançar "Se alucinar, não trabalhe", ácido e trabalho definitivamente não combinam.

E não são nem meio-dia ainda... Ahhh como eu adoro as Segundas :-)

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Pensar “fora da caixa” pode ser muito rentável

É ótimo quando as pesquisas científicas confirmam aquilo que a gente sabe, mas não podia apresentar com dados, não é mesmo? Foi o que aconteceu na edição de setembro/outubro da revista HSM Management: foi publicado um artigo e uma entrevista com o Professor Gregory Berns, físico, neurologista e engenheiro biomédico que trabalha nos departamentos de psiquiatria e economia da Emory University, nos Estados Unidos.

O livro mais recente do Prof. Berns se chama “Iconoclasta: um neurocientista revela como pensar diferente.” No livro, o professor divulga resultados de suas pesquisas na área do pensamento criativo e da inovação. São conclusões importantes do ponto de vista científico, mas nem todas chegam a surpreender quem passou a vida toda trabalhando com criatividade e inovação numa base diária. Uma das conclusões mais diretas e efetivas de Berns é a seguinte:

“Para “pensar diferente” a atitude mais benéfica que você pode ter é se colocar fora de seu ambiente usual. É raro que as pessoas tenham idéias novas enquanto estão sentadas em seu escritório ou interagindo com as mesmas pessoas todos os dias. Observamos que se colocar em uma circunstância inédita ou diferenciada, seja numa viagem ou encontrando pessoas que não vemos todos os dias, é de longe a melhor forma de fazer com que o cérebro saia de seu modo previsível e desperte a criatividade inerente.”

Os escritores sabem disso há muito tempo, daí tantos “livros de viagens” e romances escritos durante estadias em países diferentes, as chamadas “obras do exílio”. Pintores também são famosos pela inspiração fornecida por novos ares e paisagens diferentes. Diretores de cinema como Woody Allen e David Lynch já endossaram a tese. E os melhores criativos que conheço, inclusive nas várias agências nas quais trabalhei, sempre foram unânimes em apontar o valor inestimável de mudar o cenário para ter suas melhores idéias.

Ao sair da mesa, tomar um café, ir até a esquina para comprar um sorvete, ou qualquer coisa que quebre a rotina e os tire de trás de suas mesas, a criatividade sempre parece fluir melhor, com mais facilidade, mais rapidamente. Naturalmente, isso sempre foi verdadeiro pra mim também, e por isso sempre estimulei as equipes de criação que dirigi a terem essa atitude de mudar de ares e evitar a rotina de ficar atrás da mesa. Previsivelmente, nem sempre isso agradou a todos nas agências onde trabalhei.

Muitas vezes o pessoal que não era diretamente responsável por criar a nova idéia, a campanha ou o plano inovador achava que se a equipe não estava sentada à mesa, fazendo cara de compenetrada, escrevendo ou ilustrando, não estava produzindo.

Sempre defendi o contrário – o criativo é mais produtivo sempre que ele ”sai da caixa”, qualquer que seja a caixa: a mesa, a baia, a sala de reuniões ou o horário exato que se espera que ele faça. Milhares das melhores idéias aconteceram enquanto os criativos estavam dirigindo de volta pra casa; quando estavam tomando banho na manhã seguinte ao dia do briefing; quando eles saíram de suas mesas para tomar um café e dar uma volta – sem necessariamente fazer cara de conteúdo: simplesmente indo até a padaria da esquina, despreocupadamente.

Pensando bem, nada mais óbvio: para que as pessoas pensem fora da caixa, deixe que elas saiam das suas caixas! Parece a coisa mais simples do mundo – mas não costuma ser simples no cotidiano. Os empresários, os clientes e o pessoal do atendimento normalmente reclamam, se chateiam e agem como se o criativo não estivesse fazendo seu trabalho cada vez que ele tenta sair da caixa física, ou da caixa dos horários exatos aos quais a burocracia gosta tanto de submeter as pessoas na ilusão de controlá-las. No caso de um trabalhador intelectual que executa tarefas criativas, um controle absolutamente ilusório, porque ficar sentado à mesa com cara de preocupado nunca ajudou ninguém a ter uma idéia feliz, inovadora, inspirada, arejada.

De fato, como também está hoje comprovado cientificamente, idéias felizes e produtivas têm mais chance de acontecer quando as pessoas estão felizes. Trancadas nos limites da sala, do horário estrito e da burocracia, as pessoas ficam menos felizes. E suas idéias ficam burocráticas, sem graça, sem inovação.

Curioso que burocratas cinzentos se perguntem “porque é tão difícil encontrar idéias que sejam realmente “fora da caixa?”. É exatamente por aquela atitude que os criativos sempre valorizaram tanto, e que os mesmos burocratas sempre chamaram de bobagem, frescura, ou coisa muito pior.
Mas agora, pasmem: tem até comprovação científica!

Por Paulo Ferreira, publicitário, consultor especialista em Gestão Estratégica de Negócios. Atua também como consultor de imagem e comunicação para diversas empresas por meio de sua consultoria, a Wasaby Innovation.

HSM Online
30/10/2009

E o que você tem feito para quebrar a sua rotina? Mesmas músicas, mesmos amigos, mesmas ruas...
É difícil demais sair da rotina quando se tem responsabilidades, mas é preciso. Mesmo que em menor escala... Viajar nem sempre é possível, mas se a Teoria do Caos estiver correta, pequenas acontecimentos acarretam em grandes mudanças, e pessoalmente eu acredito que ela esteja...

Imaginação fértil

Nerd é a pessoa que pensa ao comprar um fone bluetooth: "Se o ladrão me levar o celular, posso correr atrás dele e usar o próprio celular que está com ele, para ligar pra polícia", e fica imaginando como vai explicar para a atendente que ele está usando o celular que foi roubado para fazer aquela ligação:

- Mas senhor, de onde você está fazendo a ligação?
- Ora, do meu celular é claro!
- Mas ele não foi roubado?
- Sim, mas é que eu tenho um fone bluetooh
- Blueoque?
- Bluetooth
- Senhor, vou pedir ao senhor para que mantenha a calma e controle sua respiração, não estou conseguindo compreender o que está falando.
- Mas é que eu tô correndo atrás do ladrão.
- Senhor, não é aconselhável reagir a assaltos, e nem perseguir o infrator. Peço que mantenha a calma e aguarde um policial chegar.
- Mas é que...
- A polícia agradece sua ligação, tenha um bom dia.

O que ele não imagina é que, ele não vai ter como correr atrás do ladrão para manter a distância máxima de 10 metros -que é o raio de ação do bluetooth- já que ele é um sedentário . Mas isso é um mero detalhe.

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